Blog Metall Pará (Por Marcelão):
Dia D
finalmente!
Cheguei por
volta dás 17:00hs na Hellpublica e o local já estava tomado pelo exército
camisas pretas, uma imagem que me remeteu aos anos de gloria da cidade metal quando
em 1993 infelizmente as gangues de rua da cidade transformaram o “famoso”
festival Rock 24 Horas em uma praça de guerra...
Porém neste domingo foi tudo diferente, como se fosse uma catarse inversa tendo
agora nosso “herói” (Jayme Katarro) como protagonista de uma cena que durante
anos ficou sem eira nem beira e agora mais uma vez desponta e na “praça de
guerra” seus comandados de farda preta se mostram um exército maduro e disposto
a ser parte intrínseca desta batalha.
Já não há mais
gangues de rua e a cidade metal volta a respirar e como sempre digo, O ROCK
rola solto em Belém!!
Dei uma geral
pela praça e pude registrar um publico feliz e ansioso para o começo do evento.
Gente de várias tribos se respeitando e até mesmo confraternizando o momento
uns com os outros...
Olhei para o céu e percebi que até São Pedro iria prestigiar o acontecimento de
boa!
Fui ao encontro dos protagonistas do dia que estavam concentrados no prédio do
Núcleo de Artes da UFPA, antigo SAM onde em minha pré-adolescência tive a
infeliz tentativa de aprender a tocar um instrumento...
Estavam ali quase todos, faltando só o brother Leandro Pörckö (Baixo Calão),
que junto com Sammliz Samm (Madame Saatã) e Djair Oliveira (Antcorpus) iriam
fazer participações especialíssimas na gravação do DVD do Delinquentes.
De volta a praça de guerra, tratei de montar meu equipamento entrincheirado
junto ao comando da equipe de som do evento e fui dar mais uma volta entre o
público, cumprimentar os conhecidos e amigos e conhecer outros tantos.
Eis que finalmente a banda e convidados aparecem cercados por seguranças em
meio a multidão presente e seguem em direção ao “palco” para dar início ao
espetáculo e que arrisco dizer que foi um “marco” não só para Jayme Katarro e
sua troupe mas para a cena underground como um todo, uma realização depois de
tantos anos de “guerra” e uma sensação coletiva de satisfação!
O showzaço foi
MEGAPOWERPHODA e o público insano correspondeu e se comportou muito bem... As
três participações especiais foram devidamente reconhecidas e merecidamente
ovacionadas a altura... Acho que depois do show do Iron Maiden foi o evento em
que mais me emocionei.
Após o grande espetáculo A banda seguiu de volta para o prédio do Núcleo de
Artes da UFPA para “tomar um ar” e comentar alguns aspectos do show e também
receber as congratulações de amigos, parentes, namoradas e outros...
Seu Jayme queria dar uma esticada para tomar uma saideira com todos, porém
antes tinha que ter com os amigos que ainda o esperavam na praça para dar-lhe
os merecidos parabéns e registrar o momento que para muitos será histórico... E
eu segui atrás do seu Jayme registrando o que podia...
Para finalizar a
noite seguimos para o Lobo Bar e mais tranquilo, Jayme agradeceu a todos que
estavam presentes e lembrou também dos ausentes em uma citação das amizades no
“passado, presente e pretérito perfeito”...
Dava pra ver
estampado na face do seu Jayme um semblante tranquilo de realização e alegria.
No fim de tudo
ainda pequei uma carona para casa com o Paulão da Pam-tur, empresa que costuma
fazer os traslados das principais bandas e artistas que vem por aqui pela
cidade das mangueiras... O cara já transportou nada mais nada menos do que
Scorpions, Deep Purple e Iron Maiden dentre outros... É mole ou que mais?...
“Dia D”... Dia e noite memoráveis!!!
Blog Música Paraense:
Celebração rock’n’roll
Por Ana Clara Matos
A metereologia foi generosa e preparou bem o clima do Dia D, no último domingo.
Como era de se esperar, entre fãs, profissionais da cultura e habitués curiosos, o público lotou o anfiteatro e seus arredores, na Praça da República. Cenário pronto, rodeado de prédios históricos, e reduto do rock por excelência, o lugar não poderia ser mais apropriado. Antes mesmo de qualquer sinal de início da apresentação, embalada pelo som mecânico, a roda de pogo já demonstrava o que estava por vir.
Tudo em ordem para a gravação do DVD Planeta dos Macacos, dos Delinquentes, liderados por Jayme Katarro, com direção de Priscilla Brasil.
No palco, o aquecimento ficou por conta do percussionista Nazaco Gomes – que já transitou pelo universo do rock antes da formação do Trio Manari –, abrindo o show com sons experimentais.
Em seguida, Jayme Katarro (vocal), Pedrinho (guitarra), Pablo Cavalcante (baixo e backing vocal) e Raphael Lima (bateria e backing vocal) entraram em cena visivelmente entusiasmados. O clima de euforia e realização da banda contaminou também o público que se reunia atrás do palco e acompanhava de perto as movimentações de bastidores.
Logo na primeira música, a exaltação dos fãs da primeira fila em direção ao palco podia causar apreensão, por conta do fluxo de equipamentos de vídeo entre a grade de contenção e os músicos, porém antes de qualquer situação mais perigosa, Jayme convocou o público a manter o evento pacífico, afastando o estigma de violência que infelizmente passou a acompanhar os shows de rock após problemas graves em eventos de décadas passadas. Contrariando possíveis preconceitos, porém, o show correu tranquilamente, sem tumultos.
O momento era de coroamento de uma longa estrada bem sucedida. Com vinte e sete anos de carreira, reunindo integrantes que ingressaram na banda em períodos diversos – o único da formação original é Jayme Katarro – o Delinquentes disparou composições de várias fases, e não podia ser diferente.
Indiocídio, Planeta dos Macacos, que dá nome ao DVD, e Matança de Animais, dividiram o repertório com Formigueiro Febril, faixa título do EP mais recente, lançado aqui no MúsicaParaense.Org. Teve espaço também para a versão do carimbó Pescador, de Mestre Lucindo, que no ano passado já havia sido a faixa de um clipe premiado da banda, dirigido por Robson Fonseca.
O show contou também com participações especiais vigorosas, ainda que curtas: Leandro Porko, do Baixo Calão, e Djair, da Antcorpus, em Cemitérios, e Sammliz, do Madame Saatan, em Um Belo Dia Pra Morrer.
Houve alguns problemas técnicos no decorrer da apresentação, mas nem uma breve interrupção inesperada na primeira metade chegou a comprometer a paciência do público. Nada que abalasse o ambiente festivo. Inegavelmente os Delinquentes protagonizaram uma bela celebração. Agora é aguardar o resultado do registro, sob os cuidados da Greenvision.
Foto: Raoni Joseph
Site Pará Música:
Dia de rock na Praça da República
Banda Delinquentes reúne cerca de 3 mil pessoas na gravação de DVD
Elielton Amador Fotos: Thamires Costa
O horário foi marcado para as 16h, depois adiado para as 17h. Mas já começavam a aparecer as primeiras nuvens acinzentadas e a equipe de produção ainda testava as luzes do anfiteatro da Praça da República, para onde estava marcado o show que comemoraria 27 anos de carreira da banda Delinquentes. A cineasta Priscila Brasil, que gravaria ali o primeiro DVD exclusivamente da banda, parecia tensa no camarim improvisado dentro do Teatro Waldemar Henrique. Na platéia, os mais velhos pais, trabalhadores de outras gerações do rock paraense já começavam a lamentar o fato de talvez não poderem ficar para presenciar esse grande momento.
Ao mesmo tempo, na Praça Waldemar Henrique, segundo o produtor e radialista Fabrício Rocha, do programa Rotonton Rádio Regae, da Cultura FM, mais de 5 mil pessoas lotavam o Tributo a Bob Marley, principal evento rastafari de Belém, cerca de 400 metros descendo pela Av. Assis de Vasconcelos, paralela à Praça da República. A tardinha ia chegando e além do punhado de pais e trabalhadores de mais de 30 anos, os góticos, punks, anarcopunks, grunges, bangers e toda espécime híbrida entre essas variações iam se acumulando pelos cantos da Praça, com suas garrafas de Cantina da Serra e seus baseados. Tudo na maior santa paz de Satã, como diria outro Fabrício (o Nobre, ex-Monstro Discos).
Duas horas antes, eu estava num dos apartamentos vizinhos à Praça da República, onde o fotógrafo francês Bruno Pellerin selecionava fotos de artistas paraenses para seu livro de retratos. A banda estava passando o som, quando sai dali. O vizinho de Bruno pediu que, se possível, eu puxasse a tomada dos roqueiros barulhentos. Quem já fez evento de rock na Praça, como eu, sabe o quanto é difícil ir contra a contrariedade dos vizinhos da mesma – e até então eu não fazia ideia de quanto incômodo podia ser mesmo o negócio.
O fato é que, atipicamente, mesmo para um ano eleitoral, apesar da demora, nem vizinhança, nem guarda municipal nem ninguém parecia disposto a atrapalhar a festa dos Deliquentes. Nem São Pedro, que apesar da hora avançada e da noite caindo, não mandou a chuva que parecia se anunciar. Rodeio o backstage. A movimentação é grande: fotógrafos, videomakers e a equipe de Priscila estão agitados. Sem que eu pedisse, uma pulserinha vip vem parar na minha mão.
Volto para a plateia e vou encontrando os amigos e conhecidos, o empresário Na Figueredo, o jornalista Tylon Maués, a cantora Lu Guedes e o contrabaixista do Norman Bates Manuel Malvar, entre tantos outros espalhados no meio da fauna exótica da Praça da República. Entre uma cerveja, um cigarro e piadas de Jacob Franco sobre o “chefe” Jayme Katarro, vamos esperando o tempo passar. Franco, que também é líder do Projeto Secreto Macacos, já foi um dos baixistas do Delinquentes.
Já começa a escurecer, quando, finalmente, Nazaco, percussionista do Trio Manari, se dirige para o seu set e começa a preparar o ambiente para a entrada dos Delinquentes. Enquanto rola a ambientação de Nazaco, a banda sai de dentro do Waldemar Henrique e caminha com pose de stars entre a platéia da Praça, acompanhado por pelo menos duas câmeras e a diretora Priscila Brasil sempre perto. Jayme para vez ou outra para cumprimentar um velho conhecido da Praça.
É com a mesma atitude “poser” que a banda inicia seu set forte com “Indiocídio”, e emenda logo um dos maiores clássicos da banda: “Gueto”, do tempo em que ser punk era gritar as diferenças e desigualdades da sociedade. Vale lembrar os versos:
Varando as baixadas, passando por cima de pontes
Pessoas iludidas esperando um amanhã sombrio
A diferença é forte, crianças e velhos sem ter onde morar
Outros tem três quartos, um pra dormir e dois pra brincar
Vida no gueto é o fim
Mas ninguém escolheu viver assim
Os mais jovens se amontoam contra as grades de proteção montadas ao redor do anfiteatro. Estou no backstage usando da minha premissa de vip para filmar com meu celular. Priscila passa por mim e faz cara de poucos amigos. Parece tensa ainda. A pancadaria sonora continua. Eu volto para a platéia. Atrás da housemix, o som está espalhafatoso, sobram frequências agudas. É normal, afinal a Praça é grande e a potência do som nem precisa ser maior. O vento espalha as ondas sonoras. Em tempos midiatizados, Malvar solta essa: “Quero é ouvir no DVD, vai ficar porrada!”
O som continua e para quem já conhece o repertório de cor o show nem parece tão bom, mas o orgulho que perpassa cada um de nós faz o momento ser celebrado com prazer. O repertório alterna a produção dos anos 90 da banda e as músicas mais recentes, aquelas marcadas pelo crossover entre o hardcore e o thrash metal, influências ressaltadas pelas presenças de Pedrinho (guitarra) e Pablo (contrabaixo) na banda. “A Fábrica”, “L’uomo Delinquente” e “Soterrados”, do ultimo EP virtual lançado há poucos meses. A poesia quase concreta do novo punk já não traduz com perfeição uma realidade pós-moderna, soterrada em tanta distorção. “Vagamundo” é uma das melhores dessa fase. Em seguida o mais novo parceiro da banda, Djair, da banda Anticorpus, e Leandro, da Baixo Calão, sobem ao “palco” para cantar “Cemitérios da Civilização” com Jayme.
O som continua. “O herói”, “Cicatrizes de guerra”, “Ficção”, “Carcaças vazias” e a nova “Formigueiro Febril”, que parece afirmar um tema comum às novas composições: a multidão, a dispersão, a exclusão e a falta de orientação das massas. A vinheta, então, anuncia aos iniciados uma das melhores e mais celebradas músicas do grupo, “Planeta dos Macacos”. E mais uma vez Jayme conta como fez essa letra depois de uma ação violenta e injusta da polícia. Na sequência, outra do mesmo quilate: “Um belo dia pra morrer”, com a participação de Sammliz, que veio de São Paulo especialmente para o evento. Depois foi a vez da fase “regional”, com a apresentação da cover de “Pescador”, de Mestre Lucindo. Para em seguida executarem o outro clássico oitentista da banda a ser registrado no DVD: “O Viciado”, aquele que não acredita em “portas abertas, de mãos amarradas”, o melhor da lírica punk de Jayme.
Rafael (bateria), Priscila e Jayme Katarro no camarin No bis a banda anuncia que vai repetir Planeta dos Macacos para a produção do DVD. E encerra com o clássico “Ferrovia Norte-Sul”, que apesar de não ser de nenhuma banda paraense, parece ter caído como uma luva no nosso imaginário autossegregador da integração nacional. Missão cumprida. Priscila, com sorriso nos lábios, cumprimenta os jornalistas. Agora é esperar para curtir em casa com o volume e a mixagem adequados, e no conforto de uma poltrona macia, enquanto as crianças dormem ou brincam no quarto de brincar.
PS – A estimativa de público do show ficou entre 2 e 3 mil pessoas. O projeto foi patrocinado através da Lei Semear pelo programa Conexão Vivo.
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